
Vazamento expõe 153 milhões de documentos de identidade; e o Brasil?
Uma falha em serviço de verificação de identidade permitiu que criminosos vendessem no dark web mais de 153 milhões de carteiras de motorista e outros documentos. Fontes apuradas não confirmam exposição de dados de brasileiros até o momento.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
Um serviço no dark web batizado de Nexus passou a vender, em fórum de cibercrime em russo, digitalizações de documentos de identidade obtidas de uma falha em plataforma de verificação. Segundo apuração do Krebs on Security, referência mundial em jornalismo de segurança digital, os dados têm origem na IDScan.net, empresa de verificação de identidade sediada em Louisiana (EUA) que processa mais de 21 milhões de verificações por mês em cerca de 20 mil locais ao redor do mundo.
O volume exposto inclui mais de 153 milhões de carteiras de motorista dos Estados Unidos e do Canadá, além de mais de 10 milhões de outros documentos de identificação, mais de 3 milhões de passaportes e documentos de viagem, e centenas de milhares de carteirinhas de plano de saúde. Um anúncio no fórum onde o Nexus foi divulgado afirmava que o serviço recebia cerca de meio milhão de novos documentos por dia, o que sugere acesso quase em tempo real aos sistemas da empresa de verificação — o esquema pode ter operado por mais de um ano, segundo o Techdirt. O FBI abriu investigação oficial pelo escritório de Nova Orleans, e o serviço Nexus saiu do ar horas após a repercussão do caso.
Quem é afetado
As fontes apuradas até agora — incluindo Krebs on Security, TechCrunch e Malwarebytes — apontam exposição concentrada em documentos emitidos nos Estados Unidos e no Canadá. Não há, nas fontes consultadas, confirmação de que documentos de brasileiros estejam entre os dados vazados. Ainda assim, o caso reacende o alerta sobre os riscos de concentrar grandes volumes de documentos pessoais em poucos fornecedores de verificação — um modelo também usado por empresas que atendem o mercado brasileiro.
O que fazer agora
- Desconfie de pedidos de verificação de identidade fora de canais oficiais de bancos, fintechs ou órgãos públicos;
- Ative autenticação em duas etapas em contas financeiras e de e-mail;
- Monitore extratos bancários e de cartão em busca de movimentações não reconhecidas;
- Evite reenviar fotos de documentos por WhatsApp ou e-mail sem necessidade comprovada;
- Acompanhe comunicados oficiais de empresas que você usa para verificação de identidade, caso surjam atualizações sobre impacto no Brasil.