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Ciência19 de set. de 2026, 11:00

Vídeo de cílios doentes vence concurso de microscopia da Nikon

Engenheiro chinês da Tsinghua University venceu a 16ª edição do Nikon Small World in Motion ao filmar cílios batendo de forma anormal nas vias aéreas de uma criança com doença rara.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: um fio 200 vezes mais fino que um cabelo

Os cílios que revestem as vias aéreas humanas são tão pequenos que centenas caberiam lado a lado na largura de um fio de cabelo. Ainda assim, o vídeo vencedor da 16ª edição do concurso Nikon Small World in Motion conseguiu flagrar, em câmera lenta, o batimento anormal dessas estruturas nas vias aéreas de uma criança com discinesia ciliar primária (PCD) — doença genética rara que compromete a limpeza dos pulmões.

O que está confirmado

O vencedor é Ning Xu, da Tsinghua University, uma das universidades mais renomadas da China. O vídeo, intitulado "Abnormal beating of airway cilia from a child with primary ciliary dyskinesia", usou microscopia de super-resolução pra capturar o movimento — não uma imagem estática — porque, segundo o próprio Xu, entender a doença exige observar dezenas de ciclos de batimento, não apenas um quadro fixo. Em pessoas saudáveis, os cílios batem de forma coordenada pra empurrar muco e partículas pra fora do sistema respiratório; na PCD, esse movimento sai de sincronia e favorece infecções respiratórias recorrentes.

Os outros premiados

Em segundo lugar ficou Nguyen Nam Nhat, com um vídeo de um nematódeo interagindo com um Dileptus, protista unicelular predador. O terceiro lugar foi de Benedikt Pleyer, que filmou larvas de água-viva suspensas em gotículas de água. A organização listou ainda cerca de 27 menções honrosas, incluindo registros de células-tronco de pele fechando uma ferida em peixe-zebra e células cardíacas humanas batendo.

O que ainda é hipótese

A organização do concurso não detalhou se o caso da criança filmada por Xu já teve diagnóstico clínico formal de PCD confirmado por exame genético, nem se o vídeo será usado em pesquisa publicada. O concurso, promovido pela Nikon há 16 anos, avalia originalidade, conteúdo informacional, proficiência técnica e impacto visual — não é, portanto, uma publicação científica revisada por pares, mas uma vitrine de técnica microscópica.

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