
Vídeos falsos de candidatos: como identificar deepfakes antes de votar
A dias do primeiro turno das Eleições 2026, vídeos e áudios de candidatos manipulados por IA circulam nas redes. Veja um checklist prático para separar o verdadeiro do deepfake antes de compartilhar.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que está acontecendo
Faltam poucos dias para o primeiro turno das Eleições 2026, no domingo (4 de outubro), e vídeos e áudios de candidatos manipulados por IA seguem circulando nas redes. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), órgão que organiza e fiscaliza as eleições no Brasil, definiu em 1º de setembro os critérios de um deepfake para fins eleitorais: conteúdo sintético com "grau de realismo ou verossimilhança" suficiente para simular imagem, voz ou manifestação de alguém. As decisões do tribunal sobre conteúdos sintéticos saltaram de 36 em 2024 para 164 em 2026, alta de cerca de 356%.
Quem é afetado
Foto: reprodução/portaldeprefeitura.com.br
Todo eleitor que acompanha política pelas redes está exposto. A regra é mais rígida nas 72 horas antes da votação e nas 24 horas seguintes, quando é proibido publicar, republicar ou impulsionar conteúdo sintético com imagem ou voz de candidatos. Isso não impede que peças mal-intencionadas circulem antes disso, nem que vídeos antigos sejam repassados como recentes.
Um estudo de 2025 citado pelo Canaltech, portal especializado em tecnologia, mostra o tamanho do desafio: em testes, pessoas identificaram corretamente vozes clonadas por IA em apenas 60% das tentativas e, ao comparar voz real com clone, consideraram as duas da mesma pessoa em 80% dos casos. O ouvido humano sozinho já não é mais um bom detector.
O que fazer agora
Foto: reprodução/portaldeprefeitura.com.br
Antes de acreditar ou compartilhar um vídeo de candidato, vale uma checagem rápida. Segundo o especialista Paulo Baldin, citado pelo Canaltech, sinais visuais como boca com movimento estranho, sombras incoerentes, mãos malformadas e dentes ou óculos com textura esquisita são "alertas, não provas" de manipulação, já que ferramentas recentes corrigem boa parte desses defeitos.
Lista de verificação prática:
- Busque a publicação original: veja o vídeo completo na fonte, não só o recorte do WhatsApp ou dos stories.
- Confirme a data: muito "deepfake" é um vídeo antigo recontextualizado para parecer recente.
- Assista ao material inteiro: cortes editados escondem incoerências visíveis no vídeo completo.
- Cheque o perfil que publicou: confira o endereço exato da conta, não só o nome exibido, que pode ser clonado.
- Busque confirmação em veículos jornalísticos independentes antes de repassar.
- Desconfie de áudios "perfeitos demais": ritmo mecânico ou respiração ausente podem indicar clonagem de voz.
Candidatos ganharam um apoio extra: o TSE e o Google lançaram em agosto uma ferramenta que permite cadastrar a aparência no YouTube para a plataforma rastrear vídeos sintéticos feitos com essa imagem. O sistema não decide sozinho se o conteúdo é falso, apenas sinaliza correspondências para o candidato avaliar e pedir a remoção, se for o caso.
Na dúvida sobre um vídeo recebido no celular, vale a regra de sempre: não compartilhe antes de verificar a fonte.