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Ciência29 de out. de 2026, 15:41

Virgin Galactic revela nave Apeiron, mas voo comercial só em 2027

Escolhida em votação pública com participantes de 83 países, a Apeiron é a primeira espaçonave da nova classe Delta da Virgin Galactic — mas o primeiro voo comercial já foi empurrado para o início de 2027.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Um nome escolhido por voto, um prazo escolhido pela engenharia

Pra escala humana: imagina escolher o nome de um avião pela internet, como se fosse uma votação de reality show, e só depois descobrir que ele ainda vai levar quase um ano pra decolar com passageiros de verdade. É basicamente o que a Virgin Galactic, empresa de turismo espacial suborbital fundada pelo bilionário britânico Richard Branson, acabou de anunciar.

O que é confirmado

A empresa revelou a Spaceship Apeiron, primeira espaçonave da sua nova classe Delta, e já transferiu a aeronave da fábrica em Mesa, no Arizona, para a Spaceport America, no Novo México, onde vai passar por testes de voo. O nome Apeiron — palavra grega antiga que significa algo como "o sem limites" — venceu uma votação pública que recebeu respostas de 83 países em seis continentes, entre quatro finalistas submetidos por funcionários da empresa e clientes que já compraram passagem: Horizon, Explorer, Ascend e Apeiron.

Em termos técnicos, a Delta é uma espaçonave suborbital — ou seja, ultrapassa a borda do espaço e oferece alguns minutos de ausência de peso, mas não entra em órbita da Terra. Ela foi projetada para levar até seis passageiros por voo, dois a mais do que a VSS Unity, modelo anterior da empresa. A Virgin Galactic também afirma que a nova classe de naves foi pensada para sustentar uma cadência de voo maior, com a meta declarada de alcançar dez ou mais voos por mês até metade de 2027.

O que ainda é promessa

Aqui entra a parte que exige cautela. A própria empresa projeta o primeiro voo comercial da Apeiron apenas para o começo do segundo trimestre de 2027 — uma data que já representa um novo adiamento em relação a cronogramas anteriores da companhia, que historicamente atrasou repetidamente seus planos de retomada de voos comerciais desde que pausou as operações da VSS Unity em 2024. A segunda nave da classe Delta está prevista para entrar em operação só no segundo ou terceiro trimestre de 2027, formando a dupla que a empresa diz ser necessária pra rodar o calendário cheio de voos.

Os assentos continuam sendo vendidos por mais de 750 mil dólares cada, e a Virgin Galactic aposta que, em 2027, pode se tornar a única operadora comercial de voos suborbitais em atividade, já que sua principal concorrente no segmento, a Blue Origin (empresa aeroespacial do fundador da Amazon, Jeff Bezos), pausou suas próprias operações nesse mercado específico.

Por ora, o que existe é uma nave física, testada em solo e batizada por voto popular — o primeiro passageiro pagante, esse ainda é projeção, sujeita ao histórico recente de atrasos da própria empresa.


Atualização (28/10, 21:50): ATUALIZAÇÃO (29/10): A nave Apeiron, revelada pela Virgin Galactic dias atrás, já deixou a fábrica da empresa em Mesa, no Arizona, rumo à base de operações no Spaceport America, no Novo México — pousando por volta de 13h local. É o primeiro passo físico rumo aos voos comerciais prometidos para 2027.

A Apeiron é a primeira nave da classe "Delta" da empresa, com capacidade para até seis passageiros — mais que as naves anteriores — e cadência de voo bem maior: a meta é superar 10 voos por mês até a metade de 2027. Cada assento deve custar US$ 750 mil. O nome da nave, escolhido por votação pública, vem do conceito grego "apeiron", associado à ideia do ilimitado.

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