
Virgínia proíbe sigilo em contratos de data center e cria força-tarefa
A governadora Abigail Spanberger assinou ordem que barra acordos de confidencialidade em projetos do Executivo estadual e exige aprovação pública para instalações acima de 25 MW.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
O que muda pra quem mora perto de um data center
Até aqui, moradores de cidades da Virgínia, no estado americano que concentra a maior densidade de data centers do mundo, muitas vezes só descobriam que um novo centro de dados seria instalado no bairro quando as obras já estavam avançadas — negociações entre governo e empresas de tecnologia costumavam vir amarradas a acordos de confidencialidade. Isso muda agora: a governadora Abigail Spanberger assinou a Executive Order 22, que proíbe agências e órgãos do Poder Executivo estadual de firmar ou exigir esse tipo de sigilo em projetos de data center.
Quem fiscaliza agora
A ordem cria um “Data Center Accountability Framework” e uma força-tarefa estadual de inteligência artificial. Na prática, qualquer instalação acima de 25 megawatts de consumo — a maioria dos data centers modernos passa fácil desse limite — vai precisar de aprovação pública local, não só de um aceno do governo estadual. O texto também determina revisão acelerada das regras de ruído (data centers rodam refrigeração e geradores 24 horas por dia) e reavaliação do uso de geradores a diesel como energia de backup, item recorrente em reclamações de vizinhos.
Para ajudar prefeituras que não têm estrutura técnica para negociar com gigantes de tecnologia, o estado vai oferecer um “Data Center Planning and Community Engagement Toolkit” — um kit de ferramentas para avaliar propostas. E, para quem já paga a conta de luz mais cara por causa da demanda desses centros, a ordem exige que as concessionárias distribuam de forma mais equitativa os custos de transmissão e geração entre data centers e outros consumidores.
Quanto custou virar “a capital mundial dos data centers”
A Virgínia, especialmente o Norte do estado, na região de Loudoun County, é hoje considerada o maior mercado de data centers do planeta — um título que trouxe empregos e investimento, mas também ruído, consumo de água, alta na conta de energia e pouca voz das comunidades locais nas decisões. Spanberger classificou o pacote como o mais abrangente e agressivo do país nesse tema. A força-tarefa de IA criada pela ordem também vai tratar de deslocamento de mão de obra, privacidade de dados e cibersegurança — temas que outras cidades que disputam a construção de data centers, no Brasil incluído, vão ter que enfrentar mais cedo ou mais tarde.