
Vivo acusa TIM de usar filtro anti-spam só para bloquear suas ligações de telemarketing
A líder do mercado móvel, com 37,9% de participação, diz que o serviço gratuito da rival, lançado em 8 de setembro, barra apenas chamadas disparadas pela própria Vivo, ferindo regras da Anatel. A TIM nega irregularidade.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
37,9% contra 22,4%: a briga por trás do filtro anti-spam
Vivo, líder do mercado móvel brasileiro com 37,9% de participação segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), reclamou formalmente às autoridades sobre um serviço da TIM, terceira colocada no setor com 22,4% de participação e em queda contínua nos últimos trimestres. Segundo a Vivo, a ferramenta de bloqueio de chamadas indesejadas da rival, ativada gratuitamente em 8 de setembro, estaria filtrando apenas as ligações de telemarketing feitas pela própria Vivo para clientes da TIM — e não chamadas abusivas de outras origens.
Acusação de tratamento desigual
A Vivo argumenta que o comportamento seletivo do filtro fere as regras de igualdade de tratamento e transparência definidas pela Anatel para serviços anti-spam no setor. A empresa desenvolveu sua própria tecnologia de bloqueio internamente e já a opera há pelo menos 18 meses, disponibilizando-a gratuitamente a todos os clientes conforme determinação da agência reguladora para todo o setor. A TIM, por sua vez, nega que o serviço tenha qualquer viés e sustenta que a ferramenta apenas combate chamadas em massa e fraudulentas — afirmando que empresas que operam dentro das regras não são afetadas pelo bloqueio.
Quem ganha e quem perde nessa disputa
Enquanto as duas operadoras trocam acusações, quem sai ganhando, ao menos no discurso, é o consumidor final incomodado com telemarketing abusivo — mas a disputa expõe como cada empresa usa a tecnologia anti-spam também como arma competitiva. Se a suspeita da Vivo se confirmar, a TIM pode estar usando uma ferramenta de proteção ao consumidor para, na prática, dificultar as campanhas comerciais da concorrente líder, num momento em que a própria TIM enfrenta perda contínua de participação de mercado. Já a Claro, segunda colocada com 33,2% de participação, ativou serviço semelhante em 13 de setembro, mas não aparece como alvo das reclamações.
Caso vai parar na Anatel
A disputa chegou à Anatel, que atua como árbitro entre as operadoras. O caso ainda não tem desfecho definido, mas reforça o histórico de atrito regulatório no setor de telecomunicações brasileiro, em que ferramentas pensadas para proteger o usuário também podem virar instrumento de disputa comercial entre operadoras que concentram, juntas, entre 90% e 100% do mercado móvel na maioria dos municípios brasileiros.