
Vivo negocia compra da Vero e dívida de R$ 3 bilhões pesa na mesa
A Telefônica Brasil avalia comprar a Vero, provedora de internet fixa com 1,3 milhão de clientes, para reforçar presença na fibra no Sul e Sudeste. As conversas seguem sem acordo fechado, segundo o Estadão.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
1,3 milhão de clientes na mesa de negociação
É esse o tamanho da base de assinantes da Vero, provedora de internet fixa e operadora móvel virtual que usa a infraestrutura da TIM, que a Vivo avalia comprar para ganhar músculo na fibra óptica. Segundo a Coluna do Broadcast, do Estadão, a Telefônica Brasil — controladora da Vivo — já contratou assessores financeiros e as conversas estão em andamento, mas ainda sem acordo vinculante assinado.
Por que a Vero está à venda
A Vero opera em 425 cidades de sete estados, com forte presença nas regiões Sul e Sudeste, mas carrega uma dívida líquida de R$ 3 bilhões — equivalente a 3,3 vezes seu Ebitda anualizado — e perdeu 64 mil assinantes apenas em 2026. A empresa é controlada por Vinci Compass e Warburg Pincus, gestoras de fundos de private equity que somadas detêm 60% do negócio. Para esses fundos, vender agora é uma porta de saída depois de anos de aporte sem o retorno esperado.
O que a Vivo ganha com isso
Do outro lado da mesa, a Vivo chega com caixa relativamente folgado: alavancagem de apenas 1 vez, contra 105 milhões de clientes de internet móvel e 8,2 milhões de acessos de banda larga por fibra. Comprar a Vero reforçaria justamente as regiões onde a disputa por assinantes de fibra é mais acirrada, como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — mercados onde pequenos e médios provedores regionais têm ganhado espaço nos últimos anos.
Quem ganha, quem perde
Se o negócio avançar, a Vivo ganha escala e elimina um concorrente regional relevante, consolidando ainda mais um setor de banda larga fixa que já vem passando por ondas de fusões. Os fundos controladores da Vero resolvem um problema de dívida que se arrastava. Quem pode perder são os consumidores das áreas onde a Vero e a Vivo hoje competem diretamente: menos provedores disputando o mesmo cliente tende a significar menos pressão por preços baixos e planos agressivos. Por ora, porém, nada está fechado — e o histórico de negociações de telecom no Brasil mostra que o valor pedido costuma ser o primeiro obstáculo a travar esse tipo de acordo.