
VMware lança vSphere Express e mira cliente menor espremido pela Broadcom
Nova camada de virtualização cobre até 128 núcleos por cerca de US$ 9.600 ao ano e tenta destravar a base de pequenas e médias empresas que a Broadcom afastou ao empurrar todo mundo para pacotes completos de nuvem privada.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Até 128 núcleos, cerca de US$ 9.600 por ano: o recado é para quem não precisa de nuvem privada completa
Cerca de US$ 9.600 ao ano para rodar até 128 núcleos de processador. Esse é o pacote batizado de vSphere Express, que a VMware (fornecedora de software de virtualização corporativa, hoje parte da Broadcom) colocou no mercado nesta semana. O valor, divulgado por distribuidores do canal como a TD Synnex e não confirmado oficialmente pela empresa em dólares fechados, equivale a cerca de US$ 75 por núcleo ao ano — um preço fixo que não cai para ambientes menores, mas que destrava algo que a base pequena de clientes VMware não tinha mais acesso desde a chegada da Broadcom: comprar só o hipervisor, sem o pacote inteiro.
O problema que a Broadcom criou e agora tenta remediar
Desde a aquisição da VMware por US$ 69 bilhões em 2023, a Broadcom descontinuou o licenciamento perpétuo e independente do vSphere Standard, obrigando praticamente todo cliente a migrar para o VMware Cloud Foundation (VCF) ou para o VMware vSphere Foundation (VVF) — pacotes completos de nuvem privada com componentes que boa parte das empresas menores simplesmente não usava, mas pagava do mesmo jeito. Foi essa fricção, somada à migração forçada de assinaturas mínimas que saltaram de 16 para 72 núcleos segundo distribuidores do canal, que empurrou parte da base para alternativas como Proxmox, Nutanix e Hyper-V.
Prashanth Shenoy, vice-presidente de marketing de produtos da divisão VMware Cloud Foundation na Broadcom, resumiu o motivo do recuo: "Começamos a ouvir muitos dos nossos clientes de ponta mais baixa, que não queriam o VVF, mas queriam a capacidade de virtualização essencial — e é exatamente para esse mercado que o vSphere Express foi pensado."
O que vem na caixa — e o que não vem
Construído sobre o vSphere 9, o Express inclui o hipervisor ESXi, vCenter Server, vMotion para migração de máquinas virtuais em tempo real, reinicialização automática de VMs com falha, switch distribuído, patches rápidos e sem interrupção, e suporte a TPM físico e virtual. É a cesta básica da virtualização corporativa, sem os recursos de nuvem privada completa, automação avançada ou integração com infraestrutura de IA que caracterizam o VCF.
Quem ganha e quem fica pressionado
Quem ganha é o cliente pequeno e médio que só queria rodar servidores virtualizados sem comprar uma plataforma de nuvem privada inteira — e que, nos últimos dois anos, viu a conta subir e a complexidade aumentar sem necessidade. Quem fica pressionado é a concorrência que cresceu justamente nesse vácuo deixado pela Broadcom, caso de fornecedores de virtualização alternativa que converteram parte da base insatisfeita. O lançamento é, na prática, um reconhecimento público de que a estratégia de empacotamento forçado tinha um limite — e que esse limite já estava custando clientes.