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Smart Cities20 de ago. de 2026, 10:39

Voi pede licença única de micromobilidade para toda Londres

A operadora de patinetes e e-bikes Voi quer que a TfL crie um sistema único de licenciamento para toda Londres, encerrando o modelo atual de contratos separados por bairro. A empresa cita Oslo, Estocolmo e Paris como exemplos a seguir.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Um mapa de 33 regras diferentes

Se você mora em Londres e já tentou pegar um patinete elétrico saindo de um bairro e devolvê-lo em outro, sabe do que a Voi está reclamando. A empresa sueca de micromobilidade pediu publicamente que a Transport for London (TfL) crie um sistema único de licenciamento para toda a cidade, cobrindo bikes e patinetes elétricos compartilhados. Hoje, cada um dos 33 boroughs londrinos negocia suas próprias regras, e a Voi opera sob contratos e memorandos de entendimento (MoUs) em apenas sete deles: City of London, Ealing, Kensington e Chelsea, Barking e Dagenham, Hounslow, Southwark e Westminster.

A vice-presidente da Voi para o Norte da Europa, Christina Moe Gjerde, resumiu o incômodo em frase direta: "Londres precisa de um framework, um regulador, um conjunto de regras — não 33 mercados diferentes de micromobilidade". Segundo ela, a TfL deveria licenciar bikes e patinetes compartilhados da mesma forma que licencia qualquer outra parte do sistema de transporte da cidade, já que hoje o mercado "roda com MoUs e contratos, não com licenças estatutárias".

Crescimento rápido, regra fragmentada

Os números que a Voi apresenta ajudam a entender a pressa. As viagens mensais da empresa em Londres saltaram de 10.209 em maio de 2025 para 579.331 em julho de 2026, enquanto os usuários ativos mensais foram de 3.602 para mais de 102 mil no mesmo período — só em julho, foram 43.400 novos usuários. É um crescimento real, mas que esbarra, segundo a empresa, em "mais bagunça visual, mais confusão nas fronteiras entre bairros e uma experiência pior para ciclistas e pedestres".

A proposta da Voi é que a TfL vire reguladora única, licenciando três operadoras com tetos de frota iguais, competindo por preço, qualidade e serviço — mas deixando que cada borough continue decidindo onde ficam as vagas de estacionamento. A base legal citada é o English Devolution and Community Empowerment Act, que exigiria uma ação do Secretary of State via legislação secundária para valer.

E o cidadão, fica com o quê?

A Voi cita Oslo, Estocolmo e Paris como cidades que já resolveram esse quebra-cabeça regulatório com um sistema único — mas vale lembrar que a proposta parte de uma interessada direta, que se beneficiaria de menos burocracia para expandir. Fica em aberto quem vai fiscalizar o cumprimento das regras num sistema unificado, quanto vai custar esse novo processo de licenciamento para o contribuinte londrino, e se apenas três operadoras concentrando o mercado é de fato o melhor desenho para os usuários, ou apenas o mais conveniente para quem já está estabelecido na cidade. Enquanto isso, a fragmentação atual — que a própria Voi ajudou a formar, contrato por contrato — segue sendo o retrato real de como Londres tenta, sem muito sucesso, organizar sua micromobilidade.

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