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Mercado16 de out. de 2026, 09:40

Volvo amplia aposta na Nvidia e leva piloto automático além dos elétricos

Volvo e Nvidia estendem parceria de quase uma década para colocar condução automatizada em elétricos, híbridos plug-in e carros a gasolina. Meta é rodar sem as mãos no volante, de ponta a ponta, antes de 2030.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Antes de 2030: esse é o prazo que a Volvo deu à Nvidia para colocar carros rodando sem as mãos no volante

A Volvo (montadora sueca fundada em 1927, hoje controlada pela chinesa Geely) anunciou nesta quinta-feira a ampliação de uma parceria com a Nvidia que já dura quase uma década. O ponto que importa: o acordo deixa de ser exclusividade dos elétricos a bateria e passa a valer também para híbridos plug-in e modelos a combustão, numa mudança de escopo que redefine o quanto a Volvo está disposta a apostar em software como diferencial.

O que muda na prática

Foto: reprodução/techcrunch.com

Até aqui, apenas os elétricos da marca usavam o chip Orin, da linha Drive da Nvidia — caso do SUV EX90, equipado com mais de 250 TOPS de poder de processamento. Agora, a Volvo vai padronizar três camadas de tecnologia Nvidia em toda a linha: a arquitetura de sensores e computação Hyperion, o pacote de software de direção Alpamayo (já baixado por mais de 650 mil desenvolvedores) e a camada de avaliação de segurança Halos. A primeira aplicação será em um veículo inédito, ainda sem nome revelado, dentro do que a montadora chama de sua maior ofensiva de produtos já feita.

A régua é o "mãos-livres" ponto a ponto

O objetivo comercial é um sistema que a Volvo classifica como "Nível 2++": o carro acelera, freia, navega e lida com semáforos, cruzamentos e conversões à esquerda sem sinalização em ambiente urbano, mas o motorista segue formalmente responsável pelo trajeto. A promessa é evoluir por etapas — primeiro direção supervisionada, depois "olhos livres" e, por fim, "mente livre" — cobrindo o trajeto completo de origem a destino, não só trechos de rodovia. A meta declarada é ter a tecnologia em carros da marca antes de 2030, com lançamento simultâneo em várias regiões, exceto a China. A Volvo ainda não definiu o modelo de precificação, mas afirma que o recurso não ficará restrito às versões mais caras.

Quem ganha e quem perde

Para a Nvidia, é mais um selo de que seu pacote completo de hardware e software para direção automatizada vira padrão de fábrica, reforçando a disputa com fornecedores como Mobileye e Qualcomm pelo mesmo bolo. Para a Volvo, o movimento sinaliza a tentativa de se reposicionar como "empresa de tecnologia full-stack", nas palavras do chefe de desenvolvimento de software da marca, Alwin Bakkenes — um discurso que a aproxima de rivais como Tesla e das chinesas apoiadas por sua própria controladora, a Geely. Fica de fora do primeiro lançamento o mercado chinês, justamente onde a concorrência local em condução assistida já é mais avançada e onde a Geely tem motivos próprios para não acelerar a dependência de um fornecedor americano de chips.

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