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Ciência26 de out. de 2026, 23:07

Voyager 1 vai se tornar 1ª sonda a 1 dia-luz da Terra em novembro

Em 18 de novembro de 2026, a Voyager 1 completa 49 anos de viagem e atinge a marca simbólica de 26 bilhões de km do nosso planeta. É a primeira vez que um objeto feito por humanos chega tão longe.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Imagine mandar um "bom dia" e só ouvir a resposta dois dias depois. É exatamente isso que acontece com a Voyager 1: segundo cálculos da NASA, no dia 18 de novembro de 2026, por volta da meia-noite (horário central dos EUA), a sonda vai cruzar a marca de um dia-luz de distância da Terra — cerca de 26 bilhões de quilômetros, ou 16 bilhões de milhas. Nenhum objeto construído por humanos chegou tão longe.

A conta é simples de entender e brutal de sentir: a luz, que viaja a quase 300 mil km por segundo, levaria 24 horas pra ir de um ponto a outro. É a distância que a Voyager 1 vai colocar entre ela e nós.

Foto: reprodução/earthsky.org

O que é confirmado

Os números vêm de cálculos oficiais da NASA e do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), centro da agência que opera a missão Voyager desde o lançamento. A sonda foi lançada em 5 de setembro de 1977, de Cabo Canaveral, e vai completar 49 anos, 2 meses e 11 dias de viagem até atingir a marca. Desde o sobrevoo de Saturno, em novembro de 1980, ela mantém velocidade constante de aproximadamente 61 mil km/h na mesma trajetória, rumo ao espaço interestelar.

Em outubro de 2026, a Voyager 1 já estava a cerca de 25,4 bilhões de km da Terra — faltava pouco mais de um mês pra fechar a conta do dia-luz.

A sonda continua funcionando, mas com sacrifícios. Ao longo dos anos, a NASA foi desligando instrumentos científicos um a um pra economizar energia da bateria nuclear a bordo, que se degrada naturalmente com o tempo. Ainda assim, a Voyager 1 segue enviando dados pela Rede de Espaço Profundo da agência, numa taxa de apenas 160 bits por segundo — muito abaixo de qualquer conexão doméstica atual.

Suzy Dodd, gerente do projeto Voyager no JPL, resumiu o atraso de comunicação de forma direta: "Se eu enviar um comando dizendo 'bom dia, Voyager 1' numa segunda-feira às 8h, vou receber a resposta na quarta-feira por volta das 8h."

O que ainda é expectativa

A NASA não garante por quanto tempo a sonda vai continuar respondendo depois do marco — a energia residual é finita, e cada novo desligamento de sistema é uma aposta pra estender a vida útil da missão. A irmã gêmea, Voyager 2, está numa trajetória diferente e só deve alcançar a mesma distância em 2035.

Por ora, o que se sabe com certeza é o cálculo: no dia 18 de novembro, a humanidade vai ter, por algumas horas, um pedacinho de si mesma a um dia-luz de distância — e ainda ouvindo.

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