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Ciência13 de out. de 2026, 01:21

Vulcão Masaya, na Nicarágua, pode estar recebendo magma novo

Imagens de satélite mostram o solo voltando a subir desde 2022 sob o vulcão Masaya, um possível sinal de magma novo entrando no sistema a 20 km de cerca de 2 milhões de pessoas.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Três centímetros. Foi quanto o chão no meio da caldera do vulcão Masaya, na Nicarágua, afundou entre 2018 e meados de 2022 — um movimento invisível a olho nu, mas captado ano após ano por um satélite europeu. A partir daí, o solo inverteu a tendência e começou a subir de novo, cerca de 4 milímetros por ano. Essa reviravolta é o centro de um estudo publicado na revista científica Geophysical Research Letters.

O que está confirmado

A pesquisa foi liderada por Lizzie Johnson, que se formou em geociências pela Penn State, universidade pública americana com um dos programas de vulcanologia mais citados dos Estados Unidos, em maio deste ano. A equipe usou imagens de radar do satélite europeu Sentinel-1, que sobrevoa a região a cada 12 dias, pela técnica chamada InSAR (radar de abertura sintética interferométrico), para medir como o solo subiu e desceu entre janeiro de 2018 e fevereiro de 2024. Os dados mostram dois comportamentos distintos: o centro da caldera afundou e depois voltou a subir, enquanto a área da cratera Santiago — onde fica o lago de lava ativo do vulcão — murchou de forma contínua durante todo o período.

O que é hipótese

A equipe interpreta a inversão no centro da caldera como sinal de inflação do reservatório principal de magma, possivelmente alimentado por uma fonte mais profunda. Já o comportamento oposto na cratera Santiago sugere a existência de uma segunda câmara, mais superficial, a cerca de 200 metros de profundidade — um sistema de "encanamento" vulcânico mais complexo do que se pensava. Nenhuma das duas hipóteses foi confirmada por outras medições independentes ainda.

Por que isso importa

O Masaya fica a cerca de 20 km de Managua, capital da Nicarágua, numa região onde vivem perto de 2 milhões de pessoas. Mesmo assim, os pesquisadores foram claros ao dizer que os dados não indicam risco imediato de erupção — o valor do estudo está em mapear como o vulcão se comporta ao longo de anos, não em prever uma data. A pergunta que o próprio estudo deixa aberta é se essa realimentação de magma vai continuar no mesmo ritmo ou se já mudou desde que a coleta de dados terminou, em 2024.

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