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Mercado15 de out. de 2026, 10:23

Vurt quer transformar vídeo vertical em gênero próprio de streaming

A startup americana Vurt saiu de 10 mil para 675 mil usuários em poucos meses apostando que microdramas verticais merecem ser tratados como categoria própria. A disputa já envolve Disney+, HBO Max, TikTok e Instagram.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Os números que explicam a aposta

O mercado global de microdramas — aquelas séries verticais de episódios curtíssimos, pensadas para consumo no celular — deve faturar entre US$ 3,6 bilhões (fora da China, segundo a consultoria Media Partners Asia) e US$ 14 bilhões no mundo todo em 2026, conforme estimativa da Omdia. Só o aplicativo ReelShort, um dos líderes do setor, movimentou cerca de US$ 1,2 bilhão em gastos de consumidores em 2025, com mais de 70 milhões de usuários mensais. É nesse cenário que a startup americana Vurt, plataforma de streaming voltada a microdramas e séries verticais, quer convencer o mercado de que esse formato merece status de gênero próprio de entretenimento — e não apenas de subproduto das redes sociais.

Quem é a Vurt e como ela ganha dinheiro

Foto: reprodução/techcrunch.com

Fundada por Hilmon Sorey, investidor-anjo que se tornou cofundador da empresa, a Vurt funciona no modelo "free-to-finish": o usuário assiste de graça até o fim de cada episódio, com a plataforma sendo sustentada por publicidade. A receita é dividida meio a meio entre a empresa e os criadores de conteúdo, em um movimento para atrair cineastas independentes e pequenos estúdios que hoje disputam espaço com gigantes do setor, como as rivais diretas DramaBox e ReelShort.

Segundo a Vurt, a plataforma saltou de 10 mil para 675 mil usuários desde março deste ano e hoje reúne cerca de 3.500 episódios distribuídos em mais de 100 séries. O diferencial que a empresa tenta vender é tirar o vídeo vertical do gueto do celular: a Vurt lançou aplicativos dedicados para Apple TV e Android TV, levando esse formato de tela cheia e vertical também para a telona da sala de estar.

Quem ganha e quem perde nessa corrida

Para Sorey, o vídeo vertical "conta histórias de um jeito muito diferente" — com gancho forte na abertura e final em suspense para empurrar o espectador ao episódio seguinte, estrutura que ele defende ser incompatível com o formato horizontal tradicional de TV e cinema. É uma tentativa de diferenciar o microdrama tanto do entretenimento de prestígio quanto do vídeo curto genérico de redes sociais.

A disputa já tem players grandes nos dois lados. De um lado, serviços de streaming estabelecidos como Disney+ e HBO Max vêm testando formatos verticais próprios para não perder audiência mais jovem. Do outro, redes sociais de vídeo curto como TikTok e Instagram já dominam a atenção do público nesse tipo de consumo, mas sem um modelo de monetização tão estruturado para criadores quanto o proposto pela Vurt. Quem perde, no meio dessa briga, tende a ser o modelo tradicional de assinatura de streaming, pressionado por um público cada vez mais acostumado a consumir entretenimento em doses curtas e verticais — e disposto a pagar por isso, ainda que pouco a pouco.

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