
VW cria elétrico com coeficiente de arrasto de 0,158 e bate Lucid Air
Conceito Mission Efficiency, da Volkswagen, quebra recorde de aerodinâmica e roda quase 1.280 km com uma carga só, superando a eficiência do Lucid Air.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: 0,158
Esqueça a corrida por mais cavalos ou telas maiores: a Volkswagen anunciou o menor coeficiente de arrasto (Cd) já registrado por um carro homologado para vias públicas, 0,158, no conceito Mission Efficiency. O recorde anterior entre carros de produção pertencia ao Lucid Air, com Cd de 0,197 — a VW não só superou o rival americano, como afirma que seu protótipo é quase duas vezes mais eficiente que o modelo mais eficiente do mercado hoje.
Na prática, isso significa menos energia gasta para vencer a resistência do ar, o maior vilão do consumo em velocidades de rodovia. O resultado apareceu num teste real: o Mission Efficiency percorreu 794 milhas (cerca de 1.278 km) entre Wolfsburg e Viena com uma única recarga, consumindo em média 6,89 kWh a cada 100 km — número que deixa qualquer elétrico de produção no chinelo.
Foto: reprodução/techcrunch.com
Como a VW chegou lá
A receita combina carroceria em formato de gota (Kammback), área frontal reduzida de 2,08 m², aletas ativas de resfriamento, rodas traseiras carenadas, assoalho fechado, vidros sem moldura e maçanetas embutidas na lataria. A ideia não é nova — a própria VW já flertou com ela no XL1 —, mas a novidade é que o Mission Efficiency usa componentes de produção, como a bateria de 54,9 kWh do ID. Polo, em vez de peças exclusivas de bancada.
Há também minimalismo que remete à Slate Auto, startup americana de elétricos apoiada por Jeff Bezos conhecida por interiores enxutos e sem luxo supérfluo: o Mission Efficiency dispensa infotainment e alto-falantes integrados, contando só com uma caixa de som Bluetooth portátil e a expectativa de que o motorista use o próprio celular.
Foto: reprodução/theverge.com
Quem ganha e quem perde
Quem sai na frente é a própria Volkswagen, que usa o conceito para provar que dá para competir em eficiência sem depender de baterias gigantes — o carro promete mais de 400 milhas de autonomia com pouco mais da metade da capacidade do Lucid Air. É munição de marketing pesada num mercado que costuma vender autonomia à base de kWh, não de engenharia aerodinâmica.
Quem perde terreno, ao menos no discurso, é a Lucid, que via o Air como vitrine de eficiência premium e agora vê a coroa passar para um conceito alemão construído com peças de carro popular. Fica mal na foto também qualquer fabricante que ainda aposta em baterias maiores como solução para ansiedade de autonomia, quando a aerodinâmica mostra que dá para chegar longe gastando menos.
O Mission Efficiency ainda é um conceito, sem confirmação de produção em série. Mas a mensagem da VW é clara: a próxima fronteira dos elétricos pode estar menos na química da bateria e mais na física do ar.