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Mercado21 de ago. de 2026, 14:22Atualizada em 22 de ago. de 2026, 13:03

Walmart cede: após uma década de resistência, vai aceitar Apple e Google Pay

A partir de 24 de agosto, o Walmart passa a aceitar Apple Pay, Google Pay e Samsung Pay em lojas selecionadas, encerrando anos de recusa em nome do próprio Walmart Pay. Expansão total até o fim de 2026 e postos de combustível em meados de 2027.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: 24 de agosto

É nessa data que o Walmart, maior varejista dos Estados Unidos, começa a aceitar Apple Pay e Google Pay em lojas selecionadas da rede e do Sam's Club. Samsung Pay e cartões NFC físicos entram no mesmo pacote. A promessa da empresa é levar o tap-to-pay para todas as lojas e clubes até o fim de 2026, e para os postos de combustível até meados de 2027. Depois de anos de recusa, o gigante do varejo finalmente abre a porta para as carteiras digitais que os concorrentes já aceitam há tempos.

Por que o Walmart resistia

Foto: reprodução/appleinsider.com

A história de birra remonta a 2014, quando a Apple lançou o Apple Pay. O Walmart chegou a aceitar o sistema por um breve período, mas trocou de lado ao apostar todas as fichas no Walmart Pay, sua solução própria baseada em QR code. Foi além: integrou o consórcio MCX, que criou o CurrentC, uma carteira digital de varejistas pensada para driblar as taxas de interchange cobradas por bandeiras de cartão — o projeto morreu em 2016. A lógica por trás da resistência nunca foi só custo. Ao forçar o cliente a escanear o QR code do Walmart Pay, a rede também garantia controle mais fino sobre hábitos de consumo e frequência de compra, dado valioso demais para abrir mão sem lutar. Não à toa, o comunicado oficial da empresa evitou citar Apple Pay e Google Pay pelo nome, limitando-se a falar em "tap to pay" e liberdade de escolha do cliente.

Quem ganha e quem perde

Quem ganha é o consumidor, que só queria pagar com o celular sem precisar abrir um app específico — hoje cerca de 85% dos varejistas americanos já aceitam Apple Pay, segundo a TechCrunch, o que tornava a posição do Walmart cada vez mais isolada. Ganham também Apple e Google, que ampliam a base de estabelecimentos onde suas carteiras funcionam justamente no varejista mais visitado do país. Do lado de quem perde, está o próprio Walmart Pay, que perde a exclusividade de uso como ferramenta de coleta de dados de comportamento de compra — ainda que a empresa garanta que o QR code próprio continuará disponível como opção. O movimento também coloca o Walmart na esteira de outras redes que já haviam cedido antes, como Home Depot, Lowe's, Kroger e H-E-B, reforçando que a estratégia de forçar carteiras proprietárias perdeu força no varejo americano. Vale lembrar que o Walmart já aceitava Apple Pay em lojas do Canadá desde 2020 — a resistência, portanto, era uma escolha deliberada para o mercado americano, não uma limitação técnica.


Atualização (22/08, 13:03): O cronograma exato da mudança já foi definido pela Walmart: o suporte a Apple Pay e Google Pay começa em 24 de agosto, inicialmente em lojas selecionadas da rede e em unidades do Sam's Club. A partir daí, a expansão será gradual até cobrir todas as lojas Walmart e todos os clubes Sam's Club nos Estados Unidos até o fim de 2026.

Os postos de combustível operados pela Walmart ficam de fora dessa primeira fase e só devem ganhar suporte a pagamentos por aproximação (incluindo Apple Pay e Google Pay) em meados de 2027. As opções de pagamento próprias da rede, como o Walmart Pay e o Scan & Go do Sam's Club, continuarão disponíveis em paralelo aos novos métodos.

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