
Washington DC vai usar IA para fiscalizar carros autônomos nas ruas
A cidade escolheu a empresa AIWaysion para instalar sensores que vão monitorar, de forma independente, o comportamento de veículos autônomos no trânsito misto. O contrato do piloto vale 50 mil dólares.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Confesso que fiquei curiosa com essa: pela primeira vez uma cidade americana vai monitorar carros autônomos com os próprios sensores, em vez de confiar só nos dados que as próprias empresas de robotáxi divulgam. Faz sentido, né? É como pedir para o aluno corrigir a própria prova.
O que Washington DC contratou
O Departamento de Transportes do Distrito de Columbia (DDOT) escolheu a empresa de visão computacional AIWaysion, em parceria com a gigante de engenharia Parsons Corporation, para vencer o chamado AVO Zone Challenge — um desafio que buscava soluções para observar como os carros autônomos se comportam nas ruas da capital americana. A partir de janeiro, sensores serão instalados em duas esquinas movimentadas do corredor da M Street, no sudeste e sudoeste da cidade.
Quanto custou e quem paga
Aqui está o número que eu sempre pergunto: o contrato do piloto vale 50 mil dólares, bancados pelos organizadores do desafio — o próprio DDOT, o Southwest Business Improvement District e a organização sem fins lucrativos US Ignite, com apoio acadêmico da George Washington University. O piloto vai durar de três a seis meses. Não há, até agora, informação pública sobre custos operacionais depois desse período — e é exatamente esse tipo de letra miúda que eu gostaria de ver publicada antes de qualquer expansão.
Como funciona e quem fiscaliza
O sistema usa visão computacional para detectar e rastrear os veículos autônomos, gerando dados de trajetória que mostram como eles se movem em meio a pedestres, ciclistas e motoristas humanos. Os vídeos serão anonimizados antes de qualquer divulgação pública. Segundo Stephanie Dock, gerente do programa de veículos autônomos do DDOT, o objetivo é comparar o comportamento dos carros autônomos com o de motoristas humanos e abrir uma conversa com a comunidade — vale notar que a própria agência descreve o piloto como algo voltado à observação, não à fiscalização com poder de multa ou suspensão.
E no Brasil?
Aqui a comparação é inevitável: testes com veículos de nível 4 (alta autonomia, ainda com supervisão humana) já acontecem em São Paulo e Minas Gerais, e uma comissão da Câmara dos Deputados aprovou recentemente regras que exigem monitoramento constante desses carros e infraestrutura de comunicação nas vias. Mas ainda não vi nenhuma cidade brasileira anunciar um sistema de sensores independente, mantido pelo poder público, para checar se as autopropagandas das montadoras batem com a realidade do asfalto. Seria um bom próximo passo por aqui também.