
Washington expande lixeiras inteligentes de resíduo alimentar
D.C. vai passar de 31 para 50 "smart bins" de compostagem voltadas a moradores de prédios, que já coletaram mais de 1 milhão de libras de resíduos desde 2024. A meta é desviar 80% do lixo da cidade de aterros até 2040.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Compostagem para quem mora em apartamento
Quem mora em casa com quintal até consegue montar uma composteira. Mas e quem vive em prédio? Washington D.C. está tentando resolver esse gargalo comum a qualquer cidade grande — inclusive brasileira — com lixeiras inteligentes de coleta de resíduos alimentares voltadas a moradores de prédios multifamiliares.
O programa, batizado de Food Waste Smart Bin Program e tocado pelo Department of Public Works (DPW), órgão da prefeitura responsável pela coleta de lixo na capital americana, tem hoje 31 lixeiras espalhadas pela cidade. Segundo o Smart Cities Dive, outras 20 serão instaladas no outono (no hemisfério norte), elevando o total para 50. Cerca de 10 mil moradores já estão cadastrados e acessam os equipamentos 24 horas por dia com um código numérico — as lixeiras contêm o cheiro, impedem a entrada de pragas e avisam automaticamente a equipe de coleta quando estão cheias.
Os números que justificam a expansão
Desde o lançamento em 2024, o programa já coletou mais de 1 milhão de libras (cerca de 453 toneladas) de resíduos alimentares, hoje na casa de 55 mil libras por mês. Com a expansão, a prefeitura projeta mais 35 mil libras coletadas mensalmente. É pouco perto do total histórico de compostagem da cidade desde 2014 — 11 milhões de libras —, mas o programa de lixeiras inteligentes já responde por 10% desse volume acumulado. Segundo o mesmo levantamento, D.C. é hoje a segunda maior iniciativa de smart bins para resíduos alimentares dos Estados Unidos, atrás apenas de Nova York.
A coleta é feita pela Compost Crew, empresa contratada pela prefeitura, e o processamento fica a cargo da Maryland Environmental Services. "Buscamos garantir uma distribuição equitativa das lixeiras pela cidade", disse John Johnson, gerente do Office of Waste Diversion, setor do DPW dedicado a reduzir o volume de lixo que vai para aterro.
Quanto custou e quem garante que funciona
Nem a matéria original nem o comunicado oficial da prefeitura informam o valor investido no programa nem o fabricante das próprias lixeiras — lacuna que chama atenção num contrato público que envolve pelo menos duas empresas terceirizadas. O que está claro é a meta: desviar 80% de todo o resíduo da cidade de aterros e incineração até 2040, reduzindo o volume total gerado em 18%. É uma meta ambiciosa, e cabe perguntar, daqui a alguns anos, se o ritmo atual de expansão — de 31 para 50 lixeiras — é suficiente para uma cidade do tamanho de Washington chegar lá.