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Mercado01 de set. de 2026, 23:10

Waymo ataca abordagem da Tesla antes da chegada do Cybercab

Com mais de 200 milhões de milhas rodadas sem motorista, a Waymo defende publicamente o uso de lidar e radar contra a estratégia da Tesla, baseada só em câmeras, dias antes do lançamento do Cybercab.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Waymo sobe o tom antes do Cybercab

A poucos dias do evento de lançamento do Cybercab da Tesla, marcado para 3 de setembro, a Waymo decidiu ir à ofensiva. Em post publicado por Srikanth Thirumalai, vice-presidente de software de direção da empresa, a companhia do Google usou dados de mais de 200 milhões de milhas rodadas sem motorista humano e cerca de 500 mil viagens pagas por semana em 14 cidades dos EUA — com uma frota de aproximadamente 4.000 robotáxis — para reforçar sua tese central: câmeras sozinhas não bastam para a condução autônoma segura.

Duas teses opostas sobre segurança

"Câmeras são incríveis, mas não são suficientes. Por anos, houve um debate sobre se apenas câmeras resolveriam a autonomia total. Agora, depois de mais de 200 milhões de milhas no mundo real, os dados são claros: operações totalmente autônomas e seguras em escala exigem mais", escreveu Thirumalai. A Waymo defende que a combinação de câmeras, lidar e radar cria uma visão redundante do ambiente que nenhum sensor sozinho reproduz — o veículo mais recente da empresa, a van Ojai, usa 13 câmeras, 4 unidades de lidar e 6 radares, além de microfones.

A empresa também mirou diretamente a arquitetura da Tesla, que aposta em câmeras e inteligência artificial "ponta a ponta" (end-to-end), sem lidar — tecnologia que Elon Musk já chamou publicamente de "muleta". Segundo Thirumalai, um sistema puramente neural que converte pixels brutos direto em comandos de direção corre risco de falhas de "caixa-preta": "mesmo os melhores modelos, com trilhões de parâmetros, ainda alucinam". Ele também argumentou que evoluir um sistema de assistência ao motorista (nível 2) para autonomia plena é um "falso cume", e que a maturidade real de nível 4 só se alcança com um sistema desenhado desde o início para operar sem humano no carro.

O que está em jogo

O embate ganha contornos mais tensos porque, nas últimas semanas, a Tesla removeu monitores de segurança da maioria de seus veículos em operação, e a empresa promete produzir mais de 125 mil unidades do Cybercab — sedã de dois lugares, sem volante nem pedais — por ano. Analistas como Pierre Ferragu, da New Street Research, veem no confronto duas apostas divergentes sobre o futuro da tecnologia: enquanto a Waymo aposta em redundância de sensores validada por escala operacional real, a Tesla aposta que IA end-to-end, treinada com volume massivo de dados de câmeras, pode se tornar mais barata e mais escalável. O mercado de robotáxis em disputa é estimado por bancos como Goldman Sachs e Morgan Stanley em centenas de bilhões de dólares até a próxima década, o que explica a disposição das duas empresas de travar essa queda de braço publicamente antes mesmo de qualquer teste comparativo independente.

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