
Waymo cria chip próprio de 1.000 TOPS e reduz dependência da Nvidia
A Waymo revelou seu primeiro ASIC customizado, fabricado pela TSMC em 5nm, que já roda em todos os robotáxis Ojai. A jogada reduz a dependência de fornecedores externos e mira a lucratividade da operação em meio à corrida contra Tesla e outros rivais.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Mais de 1.000 TOPS: a aposta em silício próprio
A Waymo, subsidiária da Alphabet, confirmou que já roda em toda a sua frota de robotáxis um chip customizado próprio — um ASIC de 5 nanômetros fabricado pela TSMC, com desempenho acima de 1.000 trilhões de operações por segundo (TOPS). O componente processa em tempo real os dados de 13 câmeras de alta resolução, quatro lidares e radares antes de repassá-los ao software de direção autônoma, cumprindo tarefas como fusão de sensores e redução de ruído temporal para condições de baixa luminosidade.
O chip já está embarcado no Ojai, o robotáxi de nova geração da Waymo construído sobre chassi de van fornecido pela Zeekr, marca do grupo chinês Geely. Segundo a empresa, cerca de 300 unidades do Ojai já operam comercialmente em Los Angeles, Phoenix e San Francisco, com expansão prevista para Denver, Las Vegas e San Diego ainda em 2026.
Por que desenvolver hardware próprio
A decisão de projetar silício sob medida — em vez de depender inteiramente de processadores de prateleira — segue a lógica que já levou Google, Amazon e Microsoft a criarem seus próprios chips de IA: reduzir custo por unidade de computação à medida que a demanda por processamento dispara. No caso da Waymo, o argumento é direto: o Ojai foi projetado para ser mais barato de construir, operar e manter, e o chip customizado é peça central dessa equação, já que otimiza exatamente a carga de trabalho (sensor fusion, redes convolucionais e modelos transformer) que a Waymo mais processa, com eficiência que um chip genérico não entrega.
Quem ganha e quem perde na cadeia de fornecimento
A Waymo faz questão de dizer que o ASIC não substitui seus fornecedores, e sim complementa componentes de prateleira de AMD, Nvidia, Micron, Samsung, SanDisk e Socionext — todos seguem no ecossistema. Mas o centro de gravidade muda: a TSMC consolida-se como fabricante estratégico ao assumir a produção do chip proprietário, enquanto a Nvidia, cujo processador DRIVE AGX Thor é citado como parâmetro de comparação de desempenho, perde participação relativa no fornecimento de compute crítico para a pilha de autonomia.
O movimento também eleva a régua competitiva contra rivais que ainda dependem de terceiros para o cérebro de seus veículos autônomos, caso de concorrentes que não verticalizaram semicondutores — pressão que se soma à disputa mais ampla da Waymo com a Tesla pelo mercado de robotáxis nos Estados Unidos.