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MercadoSmart Cities09 de out. de 2026, 10:54

Waymo faz 1º empréstimo da história: US$ 5 bi para expandir robotáxis

A unidade de carros autônomos da Alphabet fechou seu primeiro financiamento via dívida, captando US$ 5 bilhões com Blackstone, PIMCO e outras gestoras para acelerar a expansão da frota de robotáxis nos EUA e no exterior.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 5 bilhões: o cheque que muda o jogo do robotáxi

US$ 5 bilhões. É esse o tamanho do empréstimo que a Waymo, unidade de carros autônomos da Alphabet (controladora do Google), acabou de fechar com um grupo de gestoras lideradas por Blackstone e PIMCO — duas das maiores gestoras de investimento e crédito privado do mundo. O detalhe que importa mais que o valor: é a primeira vez na história da empresa que ela recorre a dívida para se financiar. Até aqui, toda a expansão da Waymo foi bancada por aportes de capital (equity), incluindo uma rodada de US$ 16 bilhões fechada em fevereiro deste ano, que avaliou a empresa em US$ 126 bilhões.

Por que dívida, e por que agora

A operação foi estruturada pelo Goldman Sachs, único coordenador do negócio, e reuniu mais de dez investidores além de Blackstone e PIMCO, como Sixth Street, Capital Group, T. Rowe Price, Apollo e Blue Owl. O empréstimo saiu precificado a 5,25 pontos percentuais acima da taxa de referência — um custo que mostra o apetite do mercado de crédito privado por apostar em infraestrutura de inteligência artificial e autonomia veicular, mesmo sem o colchão de segurança que o capital próprio oferece.

O dinheiro vai para onde a Waymo mais gasta hoje: expansão de frota, produção de veículos, custos crescentes de computação e IA, e a entrada em novos mercados. A empresa já roda em 15 cidades americanas — entre elas Los Angeles, São Francisco, Phoenix, Austin e Miami — e testa operações em Londres e Tóquio, com planos de chegar também ao Japão e a Singapura.

Quem ganha e quem perde nessa corrida

Recorrer a dívida pela primeira vez sinaliza maturidade: a Waymo está tratando robotáxi como negócio de infraestrutura, não mais como aposta especulativa — o tipo de lógica que já financiou data centers e redes de energia. Isso é munição extra numa disputa que só se acirra. Do outro lado do tabuleiro estão a Tesla, que tenta emplacar sua própria rede de robotáxi, a Uber, que aposta em parcerias com fabricantes de veículos autônomos em vez de construir frota própria, e um pelotão de empresas chinesas correndo para exportar tecnologia de direção autônoma. Quem fica para trás é quem depende só de equity para crescer: levantar bilhões em ações dilui sócios e pressiona valuation; dívida bem precificada, não. Se a aposta da Waymo em diluir menos e girar mais rápido funcionar, o resto do setor vai ter que aprender a mesma lição — ou ficar sem gás para acompanhar o ritmo.

A empresa não revelou prazo de vencimento do empréstimo nem cronograma detalhado de desembolso, e segue sob o guarda-chuva majoritário da Alphabet como investidora controladora.

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