
Waymo já roda 4 mil robotáxis nos EUA, mas Zoox e Comma travam com problemas de segurança
Enquanto Waymo e Aurora aceleram a expansão de robotáxis e caminhões autônomos nos EUA, Zoox suspende testes por exposição a gases e Comma enfrenta investigação federal após acidentes fatais.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
A Waymo, subsidiária de robotáxis da Alphabet (dona do Google), já opera cerca de 4.000 veículos autônomos nos Estados Unidos — e a expansão está longe de desacelerar. Só no Texas, a frota cresceu mais de 49% em três semanas, impulsionada por um novo modelo de van fabricado na China (a Zeekr "Ojai", rebatizada pela empresa), que já representa cerca de um terço dos carros no estado. Hoje, 80% de toda a frota da Waymo está concentrada em Califórnia e Texas, e a empresa passou a permitir que adolescentes usem o serviço — um sinal de que está mirando um público mais amplo, não só early adopters.
Caminhões autônomos também aceleram
Enquanto os robotáxis brigam por avenidas urbanas, a Aurora, startup americana que desenvolve tecnologia de caminhões autônomos, aposta em rodovias. A empresa mira mais de 30.000 caminhões sem motorista em operação até 2030 e prevê encerrar 2026 com mais de 200 veículos rodando — uma base pequena diante da meta de longo prazo, mas que a empresa vende como prova de que saiu da fase de testes.
Dinheiro também está em jogo
A May Mobility, empresa americana de robotáxis que atua via parcerias com fabricantes, planeja abrir capital por meio de fusão com uma SPAC (empresa de "cheque em branco"), em operação que avalia o negócio em US$ 1,4 bilhão. Já a britânica Wayve, que desenvolve software de direção autônoma, fechou parceria comercial com a Mercedes-Benz para levar um sistema de direção automatizada de Nível 2 a pelo menos um modelo nos próximos dois anos, além de acordos com Nissan e Stellantis — e um robotáxi em Tóquio ao lado de Nissan e Uber.
Nem tudo é expansão
Do lado dos problemas, a Zoox, empresa de robotáxis controlada pela Amazon, suspendeu sua frota de testes em Atlanta depois que trabalhadores relataram exposição a gases nos veículos, SUVs Toyota Highlander adaptados com sistema próprio de direção autônoma; a empresa encontrou apenas indícios de CO2, mas a checagem por outros gases segue. Mais grave é o caso da Comma, fabricante americana de kits de assistência à direção "mãos livres" para carros comuns: reguladores dos EUA abriram investigação federal depois de cinco acidentes envolvendo a tecnologia, dos quais dois foram fatais e resultaram em três mortes.
O retrato que emerge é de um setor que amadureceu o suficiente para crescer em escala — casos como Waymo e Aurora mostram números de frota que já impressionam — mas que ainda convive com falhas graves de segurança bem documentadas, como os casos de Zoox e Comma. Para o mercado brasileiro, que ainda não tem operações comerciais de robotáxis, esses dois lados da mesma moeda servem de referência do que esperar quando a tecnologia começar a chegar por aqui.