
Waymo revela o "cérebro" que roda no porta-malas dos seus robotáxis
Pela primeira vez, a Waymo abriu detalhes do computador que carrega no porta-malas de seus carros autônomos: um sistema capaz de até um quatrilhão de operações por segundo, construído com chip próprio e fornecedores como Nvidia, AMD e TSMC.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
O carro que você chama pelo app esconde um data center no porta-malas
Quem entra num robotáxi da Waymo dificilmente imagina que, a poucos centímetros da mala de viagem, está rodando um dos sistemas de computação mais densos já colocados dentro de um veículo de passeio. Pela primeira vez, a empresa do grupo Alphabet detalhou publicamente o hardware que sustenta suas decisões em tempo real nas ruas — e os números impressionam: até um quatrilhão de operações por segundo, segundo a companhia.
Um chip feito sob medida
Foto: reprodução/waymo.com
No centro dessa arquitetura está um ASIC (circuito integrado de aplicação específica) de 5 nanômetros, projetado pela própria Waymo, capaz de entregar mais de 1.000 TOPS (trilhões de operações por segundo) dedicados a processar dados de sensores e rodar modelos de machine learning. Segundo a empresa, o sistema funciona como dois "motores" independentes operando em paralelo, com troca automática caso um deles falhe — uma camada de redundância que faz sentido quando o passageiro no banco de trás não tem volante para assumir o controle.
O computador processa simultaneamente 13 câmeras de alta resolução, além de lidar e radar, e a Waymo afirma que sua capacidade de computação cresceu 20 vezes em oito anos. Entre os fornecedores citados pela empresa estão nomes conhecidos da indústria de semicondutores: Nvidia, AMD, TSMC, Samsung, Micron, Sandisk e Socionext.
Por que isso importa para quem só quer pegar uma carona
Do ponto de vista de quem depende do carro para ir ao trabalho ou levar os filhos à escola, a pergunta não é quantos TOPS cabem no porta-malas, mas quem garante que esse hardware não vai falhar numa esquina movimentada. A Waymo enquadra a redundância como resposta a essa preocupação, mas seguimos sem clareza sobre auditoria independente desse sistema por parte de reguladores — no Brasil, ainda nem existe marco regulatório específico para veículos totalmente autônomos.
Há também a questão do custo. A Waymo não divulgou quanto esse pacote de hardware acrescenta ao preço de cada veículo, e não é segredo que esse é um dos fatores que mais atrasam a expansão de frotas robotizadas para além de mercados americanos selecionados.
Waymo x Tesla: duas apostas diferentes
A divulgação também expõe o contraste com a Tesla, que aposta em uma abordagem mais enxuta, baseada quase exclusivamente em câmeras e num chip próprio desenvolvido em parceria com a AMD, sem lidar. A Waymo, por outro lado, opta por sensores redundantes e um poder de computação bruto muito maior — o que provavelmente encarece cada unidade, mas também é apresentado pela empresa como argumento de segurança.
Com o mercado de robotáxis aquecido e cidades ao redor do mundo observando de perto, entender o que realmente vai dentro desses carros deixou de ser curiosidade técnica: é informação relevante para qualquer prefeitura que pensa em autorizar esse tipo de serviço nas próprias ruas.