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Segurança26 de out. de 2026, 22:43

WPSplinter: falha de 16 anos em chips Wi-Fi da Broadcom ainda expõe roteadores

Pesquisador identificou que a vulnerabilidade WPSplinter, presente desde 2010 no SDK Wi-Fi da Broadcom, segue sem correção completa em milhões de roteadores de operadoras pelo mundo, mesmo após um patch parcial lançado em 2018.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

Uma falha batizada de WPSplinter, presente desde pelo menos 2010 no SDK de Wi-Fi da Broadcom — fabricante americana de chips usados em roteadores e outros equipamentos de rede —, continua expondo milhões de dispositivos a ataques, mesmo 16 anos depois de sua origem. O problema foi detalhado pelo pesquisador de segurança Quentin Kaiser e é um erro de manipulação de memória (um buffer overflow) no componente que reconstrói mensagens fragmentadas do protocolo WPS, usado para facilitar a conexão de dispositivos à rede Wi-Fi sem digitar senha.

Segundo o levantamento, qualquer pessoa dentro do alcance do sinal Wi-Fi do roteador vulnerável pode explorar a falha para executar código no aparelho — sem precisar da senha da rede e sem sequer completar o processo de pareamento via WPS. Em testes práticos, Kaiser conseguiu extrair a chave Wi-Fi da memória de um roteador Askey TCG3000 (usado pela operadora Orange na Bélgica) e abrir um shell remoto completo em um Proximus BBOX3V+, fabricado pela Sagemcom.

A Broadcom teria sido avisada do problema em 2018 e lançado um patch na época, mas, de acordo com o pesquisador, a correção não resolveu totalmente a falha. A empresa também se recusa a registrar um CVE oficial para o caso, apesar de ser credenciada como autoridade de numeração desse tipo de identificador.

Quem é afetado

A exposição não se limita a um fabricante só de roteador: qualquer equipamento que use o SDK Wi-Fi da Broadcom com o componente afetado pode estar na lista. Entre as marcas citadas nas apurações estão TP-Link, Nokia, ZTE, Netgear, Cisco, Technicolor e Sagemcom, distribuídas por operadoras de internet ao redor do mundo. Só na Bélgica, a estimativa é de cerca de 1,5 milhão de roteadores vulneráveis, somando aparelhos das operadoras Proximus, VOO e Orange — número que sugere um total bem maior em escala global, já que os mesmos chips equipam produtos vendidos em diversos países, incluindo o Brasil.

O que fazer agora

Como não há um patch definitivo nem lista oficial de modelos corrigidos, a recomendação prática é reduzir a superfície de ataque enquanto o cenário não se resolve:

  • Acesse o painel de administração do roteador e desative o WPS, já que é o protocolo explorado pela falha;
  • Verifique se há atualização de firmware disponível no site do fabricante ou no aplicativo da operadora e instale-a, mesmo sem garantia de correção total;
  • Troque a senha de administração do roteador, caso ainda use a padrão de fábrica;
  • Considere substituir roteadores muito antigos, sobretudo os fornecidos por operadoras há mais de cinco anos, por modelos atualmente suportados;
  • Acompanhe comunicados da sua operadora de internet, já que a reação ao problema depende de cada empresa aplicar as correções nos aparelhos que distribui.
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