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MercadoIA29 de out. de 2026, 15:41

xAI oferece comprar até 418 casas no Mississippi em troca de silêncio sobre processo

Subsidiária da empresa de IA de Elon Musk condiciona a compra de imóveis em bairro vizinho a um data center à renúncia de moradores a ação judicial contra ruído de turbinas a gás.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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A oferta com uma letrinha miúda

A MZX Tech, subsidiária da xAI — empresa de inteligência artificial de Elon Musk, dona do chatbot Grok —, está oferecendo comprar até 418 casas no bairro Colonial Hills, em Southaven, no Mississippi, segundo reportagem do jornal britânico The Guardian publicada nesta quarta-feira (28). O valor das propostas é calculado com base em avaliações do Zillow, plataforma americana de preços de imóveis, mas vem com uma condição: o vendedor precisa assinar uma renúncia a todas as reivindicações ligadas a um processo coletivo movido em junho contra a xAI e a própria MZX Tech.

O processo original acusa a empresa de gerar ruído e vibração "quase constantes" com as turbinas a gás que alimentam o data center de IA da xAI na região — a mesma infraestrutura que já motivou outra ação, esta federal, movida pela NAACP (principal organização histórica de direitos civis dos negros nos EUA) com apoio jurídico da Earthjustice, organização ambiental sem fins lucrativos.

Escala do negócio

Registros do condado de DeSoto, onde fica Southaven, mostram que a MZX Tech já comprou pelo menos algumas casas no bairro desde 9 de outubro — reportagens vão de três a cinco transações confirmadas em cartório até o momento. Um corretor local disse ao Guardian que outros 18 moradores já teriam topado vender. A oferta exige duas assinaturas: o contrato de compra do imóvel e, separadamente, a renúncia de direitos sobre o processo.

Quem ganha, quem perde

Para a xAI, comprar a vizinhança inteira resolve dois problemas ao mesmo tempo: elimina reclamantes do processo coletivo por ruído e cria um colchão físico entre a usina/data center e qualquer vizinhança remanescente que possa reclamar no futuro. É uma estratégia cara — centenas de imóveis a preço de mercado — mas potencialmente mais barata e previsível do que um litígio prolongado, ainda mais num momento em que a empresa levanta capital bilionário para expandir sua infraestrutura de treinamento de IA.

Para os moradores, a oferta é um dilema real: vender pode significar sair de um ambiente já degradado pelo ruído com dinheiro garantido, mas abrir mão do direito de processar fecha a porta para qualquer indenização futura, inclusive se a situação piorar. Quem decide não vender fica numa vizinhança que está sendo esvaziada ao redor, com infraestrutura industrial pesada permanecendo como vizinha fixa. A ação federal da NAACP, que não depende dos moradores individuais de Colonial Hills, segue tramitando independentemente dessas compras.

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