
Xbox sai do atoleiro: CEO comemora crescimento após demissões em massa
Asha Sharma diz que a divisão first-party do Xbox voltou a crescer de 2 a 3 vezes mais que o patamar anterior, após um 2025 marcado por demissões, fechamento de estúdios e cancelamento de jogos.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: crescimento de 2 a 3 vezes
A CEO do Xbox, Asha Sharma, afirmou a funcionários que a divisão de games da Microsoft "começou a retornar ao crescimento" em seus jogos first-party (produzidos pelos próprios estúdios da empresa), com um ritmo de 2 a 3 vezes maior do que o patamar registrado durante a crise de 2025. É o primeiro sinal positivo desde que o negócio entrou, nas palavras da própria executiva, em "queda livre".
Segundo ela, em declarações reportadas pelo Windows Central e confirmadas por veículos internacionais como Fortune e Video Games Chronicle, o Xbox havia iniciado 2026 em declínio de jogadores, horas jogadas e receita — reflexo direto da reestruturação do Game Pass, serviço de assinatura que dá acesso a um catálogo de jogos por mensalidade, cuja mudança de estratégia em 2025 "enviou o negócio para a queda livre", segundo a própria Sharma.
Foto: reprodução/fortune.com
O custo da virada
A recuperação veio a um preço alto. Para reequilibrar as contas, a Microsoft cortou cerca de 3.200 postos de trabalho na divisão Xbox, encerrou estúdios e cancelou projetos internos — parte de um processo que, segundo a executiva, deve ultrapassar 3 mil desligamentos até 2027, com metade já concretizada neste semestre. A Halo Studios, por exemplo, teve operações transferidas para a Activision Blizzard, publisher de franquias como Call of Duty e World of Warcraft adquirida pela Microsoft em 2023.
Foto: reprodução/wccftech.com
Sharma resumiu o diagnóstico do próprio erro: a empresa havia feito "uma série de apostas" para crescer e, ao fazer isso, deixou de focar no negócio principal — "simplesmente nos espalhamos demais", disse à Fortune.
Quem ganha e quem perde
No lado dos ganhos, a executiva cita lançamentos recentes como Minecraft Dungeons II, Gears of War: E-Day e World of Warcraft Forever, todos com "início forte", além de um salto de 30% no sentimento positivo da marca em comparação ao mesmo período do ano anterior. Para o mercado, é o primeiro indício de que o tombo do Game Pass pode estar com os dias contados.
Quem perde é evidente: milhares de funcionários demitidos ou realocados e estúdios que não vão mais lançar jogo nenhum. A conta de uma reestruturação dessa magnitude raramente fecha sem vítimas — e, neste caso, o Xbox trocou folha de pagamento e catálogo por um gráfico que, segundo a própria CEO, finalmente aponta para cima.