
Xiaomi acelera novo chip próprio Xring para reduzir dependência de Qualcomm
Fabricante chinesa já testou com sucesso o sucessor do Xring O1 e promete anúncio em breve, num movimento que pode redefinir o equilíbrio de forças entre hardware próprio e chips de terceiros nos flagships da marca.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Xiaomi dá mais um passo rumo à independência de chips
A Xiaomi está com um novo chipset próprio em estágio avançado de desenvolvimento, segundo informações da cadeia de fornecedores repercutidas pelo Canaltech. O chip pertence à família Xring, linha que a fabricante chinesa criou para diminuir a dependência de fornecedores como Qualcomm e MediaTek — hoje os dois grandes nomes que dominam o mercado de processadores para Android.
Segundo as informações apuradas, as primeiras unidades do novo Xring ficaram prontas ainda no fim de 2025 e o chip "funcionou na primeira tentativa de inicialização", um indicativo de maturidade no processo de engenharia. Atualmente, o componente está na fase de integração com produtos finais, sendo testado dentro de protótipos de smartphones antes de virar produto de prateleira. O fundador e CEO da Xiaomi, Lei Jun, confirmou que a próxima geração do Xring será apresentada em breve, enquanto o presidente Lu Weibing destacou que a validação da tecnologia própria em maior escala já foi alcançada com o Xring O1, primeiro chipset de alto desempenho da marca, que já ultrapassou 1 milhão de aparelhos vendidos.
Foto: reprodução/9to5google.com
Da especificação para a experiência: o que muda pra quem usa
Ter um processador próprio não é sobre número em benchmark — é sobre controle. Quando a Xiaomi projeta o silício, ela pode calibrar consumo de energia, gerenciamento térmico e integração com a camada de software HyperOS de um jeito que um chip genérico de prateleira não permite. Foi esse caminho que a Apple trilhou com a linha A/M e que o Google vem repetindo com o Tensor: hardware e software desenhados juntos tendem a entregar mais fluidez no dia a dia.
A comparação com a geração anterior importa. O Xring O1 provou o conceito; agora a expectativa é de um salto real de desempenho, com fontes do setor mencionando arquitetura mais recente e fabricação em processo avançado, ainda que detalhes finais — nome definitivo, clock e processo de fabricação exatos — não estejam fechados. Fontes internacionais apontam que a Xiaomi pretende lançar uma nova versão do Xring todos os anos, num ritmo mais parecido com o do Google do que com o de rivais chinesas.
Vale o preço no Brasil?
É cedo para responder isso com precisão, porque nem o chip nem o aparelho que vai estreiá-lo foram oficialmente anunciados. Mas a pergunta já vale: chips proprietários costumam aparecer primeiro em modelos vendidos só na China, e o histórico do Xring O1 mostra que a chegada ao mercado global — e ao Brasil — não é imediata nem garantida. Se e quando isso acontecer, o consumidor brasileiro vai precisar pesar suporte a bandas de rede locais, atualização de software e preço final contra a promessa de uma experiência mais integrada.
Atualização (19/08, 21:50): Fabricante chinesa já testou com sucesso o sucessor do Xring O1 e promete anúncio em breve, num movimento que pode redefinir o equilíbrio de forças entre hardware próprio e chips de terceiros nos flagships da marca.