
Xiaomi testa tablet com chip próprio XRING O3 e resultado impressiona
Xiaomi Pad 9 Pro Max aparece no Geekbench equipado com o XRING O3, primeiro chip 100% desenvolvido pela marca para forçar a barra contra Qualcomm. Números batem — e por bastante margem.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Xiaomi finalmente tira o cabresto da Qualcomm — pelo menos num tablet
A Xiaomi apareceu discretamente no banco de dados do Geekbench com um dispositivo identificado como Xiaomi Pad 9 Pro Max, e o detalhe que importa não é o tablet em si: é o processador dentro dele. Trata-se do XRING O3, primeiro chip topo de linha desenvolvido inteiramente pela própria Xiaomi, sem depender do catálogo da Qualcomm ou da MediaTek. Isso muda a conversa.
Os números que apareceram
Foto: reprodução/gizmochina.com
No teste flagrado, o Xiaomi Pad 9 Pro Max marcou 3.474 pontos no single-core e 13.229 pontos no multi-core do Geekbench. Para efeito de comparação, outra rodada de testes com o mesmo chip já havia registrado algo perto de 15 mil pontos no multi-core — uma diferença que sugere que a Xiaomi ainda está ajustando software e otimização térmica antes do lançamento oficial, previsto para o início de setembro.
Na ficha técnica, o XRING O3 vem com 10 núcleos organizados em três blocos: dois núcleos C1-Ultra rodando a até 4,36 GHz, quatro C1-Premium a 3,69 GHz e quatro C1-Pro a 3,15 GHz. A parte gráfica fica com a GPU Mali G2 Ultra NX MC16, de 16 núcleos.
O que isso significa na prática
Aqui está o ponto que interessa a quem vai comprar o tablet, não só a quem gosta de planilha de benchmark: a Xiaomi abandonou o desenho tradicional de cluster com núcleos de alto desempenho misturados a núcleos de eficiência — fórmula usada por praticamente todo chip Android do mercado — e apostou em dez núcleos de alta performance. Isso tende a se traduzir em mais fôlego para multitarefa pesada, edição e apps que exigem várias threads rodando ao mesmo tempo, justamente o tipo de uso que um tablet de 13,3 polegadas, carregamento de 120 W e ambição de ser o topo da linha Pad 9 precisa entregar.
Vale o contraponto: o restante da família, nas versões padrão e Pro, deve seguir de mãos dadas com a Qualcomm, adotando chips Snapdragon. Ou seja, o XRING O3 nasce como vitrine, reservado ao modelo mais caro — um teste de mercado antes de qualquer aposta mais ampla.
Compensa esperar? Se os números vazados se sustentarem no lançamento oficial, a Xiaomi entrega no Pad 9 Pro Max um desempenho bruto que rivaliza com o que hoje só os melhores Snapdragon oferecem — só que sob o controle total da própria marca, sem depender de terceiros para ditar o ritmo de evolução. Para o usuário final, a régua de decisão continua a mesma: desempenho de ponta custa caro, e resta saber se a Xiaomi vai cobrar por essa independência tecnológica ou usá-la como argumento de venda.