
Xiaomi Watch S5: hardware de ponta, mas que trava em ser "smart"
Review do Xiaomi Watch S5 aponta construção premium, tela AMOLED de alto brilho e bateria de até duas semanas, mas revela um ecossistema de notificações e apps limitado — o calcanhar de Aquiles de quem chama o produto de "smartwatch".
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Testar um smartwatch em 2026 deveria ser simples: olhar a tela, cronometrar a bateria e checar se as notificações chegam decentes. Com o Xiaomi Watch S5, a parte de hardware passa no teste com folga. É a palavra "smart" no nome que começa a incomodar.
Construção que não deixa a desejar
O Watch S5 vem com caixa de 46mm em aço inoxidável, 10,99mm de espessura e cerca de 46g sem a pulseira — peso que se sente robusto no pulso, mas sem exagero. A tela AMOLED de 1,48 polegada, resolução 480x480px (323 ppi) e brilho de pico de 2.500 nits, resolve bem um dos maiores vilões dos smartwatches: a visibilidade sob sol forte. A coroa giratória para navegação é um detalhe que aproxima o aparelho dos relógios tradicionais, em vez de depender só de toques na tela.
Foto: reprodução/canaltech.com.br
Bateria: o verdadeiro diferencial
A bateria de 815 mAh, com eletrodo negativo de carbeto de silício, é o ponto mais forte do relógio. A Xiaomi promete até 21 dias em uso leve; no teste do Canaltech, o aparelho ainda tinha 16% de carga após oito dias de uso intenso — número que, em uso normal, converteria em algo entre 10 e 15 dias reais de autonomia. É o tipo de especificação que vira experiência prática: esquecer o carregador na mala de viagem deixa de ser um problema.
Saúde e GPS no nível certo
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
O monitoramento de saúde cobre frequência cardíaca, SpO₂, estresse, sono e variabilidade cardíaca (HRV), além de mais de 150 modos esportivos. O GPS de dupla frequência, compatível com GPS, Galileo, GLONASS, BeiDou e QZSS, garante rastreamento confiável em corridas e pedaladas. Faltam sensores mais avançados, como ECG, pressão arterial e temperatura corporal — ausências que colocam o aparelho um degrau abaixo de rivais focados em performance esportiva, como os da Garmin e Coros, cujas análises de treino são mais detalhadas.
Onde o "smart" falha
O problema central do Watch S5, segundo o review, não está na saúde nem no fitness: está em ser um smartwatch de verdade. O relógio recebe notificações, mas não permite responder mensagens — só visualizar. Some-se a isso um ecossistema de aplicativos de terceiros praticamente inexistente, e o resultado é um wearable que funciona mais como um monitor de saúde sofisticado do que como uma extensão do smartphone.
Vale o preço no Brasil?
No site oficial da Xiaomi, o Watch S5 é vendido a partir de R$ 2.599 no Brasil — valor confirmado por outros veículos que cobriram o lançamento nacional. O Canaltech sugere que o preço "justo" pelo que o produto entrega ficaria perto de R$ 1.600. Para quem busca monitoramento de saúde e bateria duradoura, o hardware convence. Mas a resposta pela parte "smart" do nome ainda depende de quanto o usuário está disposto a abrir mão de funcionalidade de notificações em troca de autonomia e tela bonita.