
Xpeng capta US$ 900 mi a US$ 6,3 bi de valuation e lidera corrida chinesa por robôs
A unidade de robótica da Xpeng levantou a maior rodada de IA física já vista na China, com Tencent e Alibaba entre os investidores. Montadoras chinesas seguem a aposta da Tesla: margem de carro é fina, robô humanoide pode valer mais que a fábrica.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: US$ 900 milhões
É o valor que a Xpeng Robotics, braço de robótica da montadora chinesa Xpeng, acabou de captar numa única rodada — a maior operação de capital privado já registrada no setor de "embodied AI" (IA incorporada em robôs físicos) na China. O valuation pós-investimento cravou US$ 6,3 bilhões. Quem liderou o cheque foi a IDG Capital, com Gaorong Ventures e o apoio estratégico de dois nomes que todo investidor de tech reconhece: Tencent e Alibaba.
Por que carro virou pretexto para robô
A lógica por trás da aposta é direta: margem de montadora é osso duro de roer. Segundo o analista Michael Dunne, da Dunne Insights, a Xpeng é hoje "a mais focada em autonomia" entre as chinesas e "a primeira a se comprometer" com produção em escala de robôs humanoides — o modelo batizado de Iron, com 76 graus de liberdade no corpo e 21 em cada mão. A entrada em produção em massa está prevista para o fim de 2026, com deployment comercial em 2027.
O pitch da Xpeng para investidores é reaproveitar a cadeia de suprimentos e as fábricas já erguidas para carros elétricos, aplicando ali "padrão automotivo de qualidade e escala" para baratear o robô — o mesmo caminho que a Tesla tenta trilhar com o Optimus.
Quem mais entrou na corrida
A Xpeng não está sozinha. Chery (via sua unidade AiMOGA), BYD, Changan, GAC, Li Auto, SAIC e Seres também apostam fichas em robótica humanoide como próxima fonte de receita. Do lado dos fundadores, o cofundador He Xiaopeng e o co-presidente Brian Gu puseram a mão no bolso: juntos, investiram cerca de US$ 100 milhões da própria rodada.
Quem ganha e quem observa de fora
Ganham os fornecedores da cadeia de componentes de robótica na China e os fundos que entraram cedo — a exemplo de Tencent e Alibaba, que diversificam exposição a IA física sem depender só de dados center. Do lado ocidental, a resposta mais concreta ainda é a parceria Boston Dynamics/Hyundai, que projeta colocar o robô Atlas trabalhando numa fábrica na Geórgia (EUA) só em 2028 — dois anos atrás do cronograma chinês. Outros nomes do setor, como Agility Robotics, Apptronik e Figure, seguem em estágio de desenvolvimento, sem o mesmo volume de capital nem a musculatura industrial que uma montadora traz de fábrica.
A pergunta que fica, como resume Dunne, é se a Xpeng consegue mesmo alcançar a Tesla no lado de IA — porque hardware ela já mostrou que sabe produzir em escala.