
Xring O3: chip de 3nm da Xiaomi é o 1º a passar de 5 milhões no AnTuTu
Fabricado pela TSMC em processo de 3 nanômetros, o novo SoC da Xiaomi cravou 5,22 milhões de pontos no AnTuTu e promete superar Snapdragon 8 Elite Gen 5 e Dimensity 9500. Estreia em setembro no dobrável Xiaomi 18 Fold, mas sem data para o Brasil.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
A Xiaomi apresentou o Xring O3, seu novo chip de smartphone de fabricação própria, e a empresa não economizou nos números para chamar atenção: 5,22 milhões de pontos no AnTuTu (V11), a primeira vez que um SoC de celular ultrapassa a marca de 5 milhões no benchmark. É o tipo de salto que, no papel, faz qualquer concorrente parecer datado.
Da especificação para a experiência
O Xring O3 é fabricado pela TSMC no processo N3P, de 3 nanômetros, com 24 bilhões de transistores espremidos em um die de 133 mm². A CPU adota um design all big core com dez núcleos: dois C1-Ultra a até 4,35 GHz, quatro C1-Premium a até 3,68 GHz e quatro C1-Pro a até 3,15 GHz — ou seja, nenhum núcleo de eficiência puro, tudo pensado para desempenho de pico.
A GPU é uma Mali-G2 Ultra NX de 16 núcleos, com núcleos neurais dedicados para geração de quadros e upscaling espacial direto na cache gráfica, sem sobrecarregar a NPU. Falando nela, a NPU entrega 200 TOPS, com ganho de desempenho de IA de cerca de 45% sobre a geração anterior. O chip também é o primeiro da Xiaomi — e um dos primeiros do mercado — a suportar memória LPDDR6, com taxas de até 10.667 MT/s e banda de até 113,8 GB/s.
Em testes de laboratório da própria Xiaomi, o Geekbench 6 registrou 3.945 pontos em single-core e 15.221 em multi-core, números que, se confirmados por análises independentes, ficariam acima de qualquer chip Android disponível hoje.
Comparado à geração anterior — e aos rivais
O salto sobre o Xring O1, primeiro chip próprio da Xiaomi lançado há cerca de um ano, é expressivo: aquele SoC rodava por volta de 2,5 a 2,9 milhões de pontos no AnTuTu no Xiaomi 15S Pro, já superando o Snapdragon 8 Elite da época por pouco. O O3 praticamente dobra essa pontuação.
Contra a concorrência atual, o número publicado pela Xiaomi também supera com folga tanto o Snapdragon 8 Elite Gen 5 (cujo desempenho multi-core no Geekbench fica na casa dos 10.200 pontos) quanto o Dimensity 9500, que em testes independentes no Vivo X300 Pro marcou cerca de 3,33 milhões no AnTuTu — Xiaomi cravaria algo como 57% a mais. Vale o alerta de sempre: são medições de laboratório, em condições de refrigeração ideais, então tratam-se de um teto de desempenho, não do que o consumidor vai sentir no dia a dia com o aparelho aquecido no bolso.
Quando chega — e vale o preço no Brasil?
O Xring O3 estreia em setembro na China, primeiro no dobrável Xiaomi 18 Fold, que já tem pré-venda aberta por lá, e em seguida no tablet Pad 9 Pro Max. A produção inicial é limitada — estimativas apontam algo entre 200 mil e 300 mil unidades do 18 Fold —, sinal de que o chip nasce reservado a produtos de nicho e alto custo.
Para o consumidor brasileiro, a pergunta mais honesta ainda não tem resposta: não há, até o momento, qualquer indicação de que o Xiaomi 18 Fold ou o Pad 9 Pro Max cheguem ao país, e a Xiaomi historicamente prioriza seus chips próprios em lançamentos chineses antes de qualquer expansão global. Até lá, quem quiser desempenho de ponta em solo nacional continua dependendo de Snapdragon e Dimensity — que, pelo menos no papel, acabaram de ganhar um adversário e tanto.