
YouTube oferece milhões a criadores para barrar avanço da Netflix
Segundo a Bloomberg, o YouTube negocia pagamentos milionários para manter criadores populares exclusivos, reação direta ao avanço da Netflix sobre nomes como Ms. Rachel e o programa Hot Ones.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Milhões de dólares é o preço da exclusividade
A Bloomberg revelou que o YouTube está oferecendo milhões de dólares a criadores populares para que mantenham seus vídeos exclusivos na plataforma do Google, pelo menos por um período determinado. O movimento é uma resposta direta ao avanço da Netflix, que vem fechando acordos de licenciamento com nomes grandes do YouTube para reforçar seu catálogo a um custo bem menor do que o de produções de prestígio.
O pagamento aparece em pelo menos duas frentes: o YouTube já discutiu financiar diretamente a produção de alguns programas e também ofereceu destinar parte de acordos publicitários fechados com grandes marcas aos criadores que topem manter exclusividade. Nenhum contrato foi fechado até o momento, mas a empresa estaria perto de um acordo com alguns parceiros e mantém conversas com dezenas de outros canais e produções, incluindo o programa de entrevistas Hot Ones.
Por que a Netflix está ganhando essa disputa
O caso que acendeu o alerta dentro do Google é o de Ms. Rachel, criadora de conteúdo infantil que, após migrar parte de sua produção para a Netflix, ficou entre os dez títulos mais assistidos do serviço no primeiro semestre — à frente de séries como The Night Agent e The Lincoln Lawyer, produzidas com orçamentos muito superiores. Para a Netflix, é um negócio redondo: comprar audiência consolidada por uma fração do que custaria uma série original.
Segundo a Bloomberg, criadores que assinam com a Netflix e continuam publicando os mesmos vídeos simultaneamente no YouTube correm o risco de perder apoio da plataforma, incluindo participação em campanhas de marketing, eventos e parte da receita de acordos com grandes marcas — uma forma de pressão para forçar a escolha por um lado só.
Quem ganha e quem perde
O pano de fundo é uma disputa de bilhões: no mercado americano, o YouTube já responde por cerca de 12,5% do tempo total assistido em TV, contra 7,5% da Netflix, uma vantagem que vem crescendo ano a ano. Financeiramente, o YouTube fechou 2024 com receita de US$ 54 bilhões, acima dos US$ 39 bilhões da Netflix, embora o lucro operacional do serviço de streaming ainda seja maior.
Para os criadores, a disputa é boa notícia no curto prazo: mais dinheiro de dois lados competindo pela mesma audiência. Mas o risco é ficar no meio de um cabo de guerra — perder alcance no YouTube ao migrar para a Netflix, ou perder a chance de um contrato milionário ao recusar exclusividade. Quem perde, por ora, são os canais médios que não têm porte para negociar com nenhum dos dois gigantes.