
YouTube passa a exigir aval da Justiça para vídeos com crianças no Brasil
A partir de novembro de 2026, o YouTube exige autorização da Vara da Infância e da Juventude para vídeos com participação de crianças e adolescentes, sob pena de perda de monetização ou banimento do canal.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
O YouTube passou a exigir autorização da Vara da Infância e da Juventude — órgão do Judiciário que trata de questões envolvendo crianças e adolescentes — para a publicação de vídeos com participação de menores no Brasil. A plataforma comunicou a mudança aos criadores de conteúdo no final de outubro de 2026, e a exigência passou a valer em novembro deste ano.
A medida está ligada ao Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, o ECA Digital, também chamado de Lei Felca. A norma foi sancionada em setembro de 2025 e está em vigor desde 17 de março de 2026, estabelecendo obrigações para empresas de tecnologia que oferecem serviços a crianças e adolescentes no país.
Foto: reprodução/bahianoticias.com.br
Quem é afetado
A regra atinge diretamente os responsáveis por canais do YouTube no Brasil que publicam vídeos com participação de crianças e adolescentes. Quem não apresentar a documentação exigida corre o risco de perder a monetização dos vídeos de forma imediata. Em caso de reincidência, a plataforma pode excluir o canal em definitivo.
O que fazer agora
Segundo as orientações enviadas pelo YouTube aos criadores, é preciso:
- Solicitar formalmente a autorização junto à Vara da Infância e da Juventude da região para gravações e publicações que envolvam crianças ou adolescentes;
- Obter a documentação expedida pela Justiça;
- Enviar esse documento ao YouTube pela internet, de forma remota, conforme instruído pela plataforma;
- Manter a documentação atualizada para evitar a perda de monetização ou, em casos de reincidência, o banimento do canal.
A mudança reforça uma tendência de maior fiscalização sobre conteúdo infantil nas redes depois da repercussão do vídeo "Adultização", do youtuber Felipe Bressanim Pereira, divulgado em agosto de 2025 e que teve mais de 52 milhões de visualizações ao denunciar a exposição precoce de menores na internet, incluindo o caso do influenciador Hytalo Santos, preso no mesmo mês.