
Zerésima: o papel que prova que sua urna começou com zero votos
Antes de qualquer eleitor votar, a urna eletrônica imprime a zerésima — relatório que comprova que nenhum candidato tinha voto registrado. Entenda quem assina e como o documento funciona.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
O papel que chega antes do primeiro voto
Quem vota pensa na urna eletrônica como aquele equipamento que recebe os números dos candidatos. Mas, antes de o primeiro eleitor da seção se aproximar, a máquina já produziu um documento que poucas pessoas conhecem: a zerésima. É um relatório impresso pela própria urna, logo depois de ligada, por volta das 7h, provando que o equipamento começa o dia sem nenhum voto computado para qualquer candidato.
O nome não é por acaso. A zerésima mostra a identificação da urna e a lista de candidatos registrados para aquele município, mas com zero votos ao lado de cada um. É a prova física de que a disputa começou do zero, antes de qualquer pessoa entrar na cabine.
Por que esse papel existe
Se você já se perguntou como confiar que a urna não chegou "viciada" à sua seção eleitoral, a resposta começa aqui. A zerésima é um dos mecanismos de auditoria da Justiça Eleitoral, previsto na Resolução-TSE nº 23.611/2019, criado justamente para eliminar essa dúvida de forma documentada e pública — não é a palavra de um mesário, é um papel impresso e assinado por várias pessoas diferentes.
Quem assina e quem fiscaliza
O documento não fica só com a mesa eleitoral. Depois de impresso, devem assiná-lo o presidente da mesa receptora de votos, os mesários e as mesárias presentes e também os fiscais de partidos, coligações ou federações que estiverem acompanhando a sessão. Quando é o caso, a junta eleitoral e seus componentes também assinam.
Ou seja: a fiscalização não depende de um órgão central distante. Ela acontece seção por seção, com representantes de interesses diferentes — mesa e partidos — testemunhando e validando o mesmo papel ao mesmo tempo. Isso é o que dá peso ao documento: qualquer divergência entre o que a zerésima mostra e o resultado final poderia ser contestada com base nessa assinatura coletiva.
Onde fica e quem pode ver
A zerésima não é arquivada escondida. Segundo o Olhar Digital, ela permanece disponível na própria seção eleitoral durante toda a votação, para consulta de qualquer eleitor que queira verificar. Esse acesso aberto é parte do que sustenta a confiança no sistema: não é preciso confiar apenas no equipamento, é possível checar o papel que ele mesmo produziu.
O calendário de 2026
No primeiro turno das eleições de 2026, a zerésima foi emitida em todo o país no dia 4 de outubro. Caso haja segundo turno, o mesmo procedimento se repete em 25 de outubro, sempre antes da abertura oficial da votação.
Para o eleitor, o documento é um recado simples: antes de qualquer voto ser dado, já existe prova de que ninguém começou na frente.