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Mercado24 de ago. de 2026, 19:21

Zillow pagou US$ 100 mi para tirar a Redfin do mercado de aluguel — e a FTC mandou devolver

Zillow e Redfin fecharam acordo com a FTC e cinco estados às vésperas do julgamento: a Redfin terá até seis meses para reentrar no negócio de anúncios de aluguel que havia abandonado em troca de US$ 100 milhões da rival.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: US$ 100 milhões

Foi esse o valor que a Zillow pagou à Redfin, em fevereiro de 2025, para ganhar o direito exclusivo de veicular os anúncios multifamiliares da rival em seu site — um acordo que, segundo a Federal Trade Commission (FTC), tirou a Redfin do mercado de publicidade de aluguéis por até nove anos. Nesta segunda-feira, véspera do início do julgamento, as duas empresas fecharam acordo com a FTC e mais cinco estados (Arizona, Connecticut, Nova York, Virgínia e Washington) para encerrar o processo.

O que a FTC alegava

Foto: reprodução/geekwire.com

A denúncia sustentava que, em troca do pagamento e de outras compensações, a Redfin concordou em encerrar seus próprios anúncios online, republicar exclusivamente as listagens da Zillow, transferir seus clientes de publicidade para a concorrente e ficar fora do mercado de anúncios de apartamentos por quase uma década. Para os reguladores, o arranjo eliminava um concorrente relevante e abria caminho para a Zillow cobrar mais caro e oferecer condições piores a administradoras de imóveis — o tipo de "pagamento para não competir" que o direito antitruste mira diretamente.

Os termos do acordo

Pelo entendimento fechado com a FTC, a Redfin — dona também do Rent.com e do ApartmentGuide.com — terá até seis meses para relançar sua operação própria de publicidade de aluguel, vendendo espaço publicitário e buscando novos clientes de forma independente, sem compartilhar dados comerciais sensíveis com a Zillow. As duas empresas poderão continuar trocando listagens entre si de forma voluntária, mas Zillow e Redfin passarão a competir abertamente por anunciantes no segmento multifamiliar.

Quem ganha e quem perde

A Zillow perde a exclusividade que havia comprado e volta a ter a Redfin como concorrente direta no lucrativo mercado de anúncios de aluguel — um golpe estratégico, ainda que a empresa mantenha a maior parte de sua audiência. A Redfin, por outro lado, recupera uma linha de negócio que havia abandonado voluntariamente, mas precisa reconstruir do zero uma operação comercial e uma base de anunciantes que cedeu à rival há um ano e meio. Quem sai ganhando, segundo a própria FTC, são os administradores de imóveis e, no fim da cadeia, os inquilinos, que voltam a ter duas plataformas competindo por preço e qualidade de anúncio em vez de uma só posição dominante.

O contexto maior

O caso se soma a uma safra recente de acordos antitruste do governo americano contra acordos de não competição entre grandes empresas de tecnologia — a FTC citou como precedente o entendimento fechado com a Ticketmaster/DOJ em março deste ano. Para o mercado imobiliário digital, o recado é claro: pagar a concorrência para sair do jogo tem, cada vez mais, um preço regulatório.

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