
Zuckerberg rejeita pausa na IA, e disputa vai à ONU
O pedido de desaceleração coordenada feito pelo CEO da Anthropic dividiu big techs e virou capítulo da rivalidade EUA-China na Assembleia Geral da ONU.
Por Elias Brandão · Analista de IA e ética
Um pedido de freio que dividiu o Vale do Silício
Em 12 de setembro, Dario Amodei, CEO da Anthropic — a empresa por trás do assistente Claude e uma das principais rivais da OpenAI —, publicou um texto defendendo algo incomum no setor: desacelerar de forma coordenada o ritmo de avanço da IA por um ou dois anos, pra dar tempo de a segurança e o alinhamento das máquinas andarem junto com a capacidade delas. Em bom português, a ideia é evitar que o carro saia na frente do motorista.
A proposta pegou rápido. Sam Altman (OpenAI) e Elon Musk (xAI) concordaram publicamente em questão de horas, defendendo que desacelerar não significa parar — e sim incluir auditorias de segurança no caminho. Já Mark Zuckerberg (Meta) e Jensen Huang, CEO da Nvidia, a maior fabricante de chips usados pra treinar modelos de IA, rejeitaram a ideia, argumentando que as empresas já têm incentivo de sobra pra cuidar da segurança sozinhas.
O tema chega à Assembleia Geral
A discussão ganhou um capítulo geopolítico na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Donald Trump minimizou os riscos da IA e defendeu a liderança americana sobre a China como questão de segurança nacional. Do outro lado, o jornal estatal chinês Global Times classificou a proposta de desaceleração como uma tentativa de criar um "manual da Guerra Fria" pra conter o avanço da China, chamando a postura americana de hipócrita.
Dentro da própria ONU, o alto-comissário Volker Türk classificou a autorregulação das empresas de IA como "extremamente insuficiente". Já o secretário-geral António Guterres comparou o momento a uma corrida armamentista nuclear e pediu cooperação direta entre Estados Unidos e China. O Conselho de Segurança da ONU chegou a incluir uma reunião sobre IA na agenda.
Dois lados, uma pergunta em aberto
De um lado, quem defende pausar a IA argumenta que a velocidade atual não deixa espaço pra testar o que pode dar errado. Do outro, quem rejeita a pausa aposta que regular demais agora entrega vantagem competitiva pra quem não seguir as regras — leia-se, a China. Nenhum dos dois lados tem como provar que está certo antes do fato consumado, e é exatamente por isso que o debate foi parar na sede da ONU.